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capítulo v –
“Se
da sua boca sair palavras de maldição ou de benção,de qualquer forma assim será
sua vida,por isso cuidado com o que diz.” [Josi Keidy Mathias]
- Mãe, já disse que ele é bom comigo.
- Ah, claro, Perséfone, viver num
túmulo é o que se chama de casa.
- não zombe do meu reino, mãe.
- Hunf, poderíamos ter o mundo lindo o
ano todo, mas não, vamos comer uma romãzinha e matar minha mãe de tristeza.
- Mãe, já faz mais de trezentos anos e
isso tem de sempre voltar a mesa?
- Eu não me conformo.
- Chega mãe, tá matando minhas flores
de tédio.
- Flores... Você vai ver as flores.
- O que vai fazer com seus dragões?
- Ah, bem lembrado! Nené-é-éns.
Dois grandes dragões entraram correndo.
- Ah meus amores. Quem são os dragões
mais bonitos da mãe Deméter, hein, hein? Ná-não Draconiel, sem fogo, já falei.
- Mãe, ele é um dragão, se ele não pode
cuspir fogo pra quê ser um dragão?
- Hum, sábio conselho, Perséfone.
“Água, Fogo, Terra e ar,
Ponham-se a mudar,
Estes dragões que agora aqui estão,
Semelhantes a humanos ficarão.
Água, Ar, Terra e Fogo,
Que seja de brio laborioso
E sua prole e seus posteriores
Cada um de cada vez,
Terá de servir os Deuses,
Mas sempre a respeitar o trabalho a
executar,
E até que o último morra
Aos seus filhos, um Deus recorra,
Terás o dom de ser magnífico,
Mas tão mortal como o homem será
Nunca um não a nós dirá
E até os fins dos éons durará”
Os dragões mudaram e tornaram-se homem
e mulher, conservando a memória.
- Muito bom, mãe.
- Obrigada. Agora do que precisar,
peça. Mas sem abusar.
- Posso dar nomes?
- Sim, sim.
- Hum... Draconiel e Serpentália Darkheart,
pois é na escuridão que habitam os segredos.
- Abençoados sejam os meus servos.
- Obrigado, Senhora – disse Draconiel.
- Obrigada, Senhorasss, louvadass sejam
– disse Serpentália.
Neste instante, Hermes entra na torre
do castelo.
- Senhoras, bom dia.
- Bom dia, Hermes, querido, o que o
traz a casa de minha mãe?
- Bem, é sobre esses dois.
- O quê? Não se pode mais mudar formas?
Eu não sou deusa o bastante para isso?
- Não, minha cara Deméter, não se trata
disso.
- O que é então?
- Apolo profetizou algo sobre a família
dos seus... Amigos.
- Qual é a poesia dessa vez?
- Bom, eu não sou chegado a ficar
repetindo poesias então... Bem... O último descendente vivo deles vai ser a
salvação dos deuses. Um homem filho de anjo vai se tornar tão poderoso quanto
nós, mas terá mais fraquezas, pois será mortal e o último rebento destes dois
poderá nos salvar. Esse rebento será o filho bastardo, nascido da infidelidade
do pai e nada saberá. Já o outro, um nephilim, o único, parece que Yaweh irá
concordar em mantê-lo vivo apara que nós morramos e ele seja absoluto.
- Uau. E Apolo viu isso agora?
- Não. Ele previu que vocês fariam a
mutação e que ele iria prever algo, então previu o que ia acontecer e previu
que eu não recitaria o poema, então ficou emburrado e foi-se deitar, mas disse
que previu que ele me perdoaria por isso.
- Ah tá, bom meu amigo alado, então é
melhor mantê-los sob o meu manto antes que... ué cadê eles?
- Ah, não! Eu me esqueci de dizer,
Apolo previu que eles fugiriam, eu devia ter prevenido vocês.
Nessa hora os três Deuses ouviram um
lamento e uma súplica: “Perdoai-os, Pai, eles não sabem o que fazem” –
Pobrezinho do homem...
- E você hein, Hermes? Não previu que
ia esquecer-se de me contar?
- Na verdade, não. Mas Apolo previu.
* * *
O Sol começava a entrar no meu quarto
quando acordei, abri os olhos devagar e aos poucos constatei serem umas seis
horas da manhã e senti alguém se mexer no quarto. De um pulo já estava de pé
com os punhos cerrados em posição de ataque e ao me deparar com o visitante me
desarmei: uma linda garota, pouco mais nova que eu, de cabelos louro-acobreados
e olhos cor de ouro e sardas que lhe adornavam o nariz e bochechas; pele de um
leve bronzeado e roupas em tom de ferrugem e azul céu – Quem é você?
- Meu nome é Aurora. Você é Órion,
certo?
- Sim, você é... Não... Lady Ártemis te
mandou, certo?
- Sim, me acordou bem cedo. Geralmente
venho junto ao carro de Apolo, logo atrás da D’alva.
- Dalva?
- É, a estrela D’alva.
- Ah, saquei. Sendo assim, para onde
vamos?
- Nossa, assim, sem nenhum beijinho? –
Aurora se aproximou lentamente, rebolando
e me corando as bochechas – Nem um “bom dia”? – Ela já estava com a mão
em meu peito e eu senti um calor gostoso.
- Ahn... é... Bom dia!?
- Bom Dia! – Ela abriu um largo e
caloroso sorriso. Abraçou-me firme, me deu um beijo, soltou-se e gritou – Nós
vamos pras Bahamas!